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Psicólogos08 de julho de 20263 min de leitura

Quanto cobrar pela sessão: o que entra na conta além do valor de mercado

Copiar o preço do colega é o jeito mais rápido de montar um consultório que lota a agenda e não fecha o mês. Como chegar no seu número.

Por Thomas Sashida

A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: "quanto os outros estão cobrando na minha região?". É uma pergunta razoável e uma péssima base de decisão, porque o preço do colega foi calculado a partir dos custos dele, da agenda dele e do tempo de formação dele.

Vale saber a faixa de mercado, sim, mas como limite, não como ponto de partida.

Comece pelo que você precisa, não pelo que os outros cobram

O caminho que funciona é de trás para frente. Três números:

1. Quanto você precisa retirar por mês.

Não o mínimo para sobreviver. O valor que faz sentido para a sua vida, incluindo férias, imprevisto e alguma reserva. Se você não colocar isso na conta agora, vai descobrir a falta dele no primeiro mês em que ficar doente.

2. Quanto o consultório custa por mês.

Aluguel ou coworking, sistema de agendamento, contador, anuidade do conselho, supervisão, formação continuada, internet, telefone. Some tudo, inclusive o que é anual, dividido por doze.

3. Quantas sessões você consegue atender por semana.

Aqui está o erro mais comum. Não é o número de horas que caberia na agenda, é o número que você sustenta sem esgotar. Atendimento clínico tem um teto humano, e passar dele custa qualidade e, no médio prazo, custa a sua saúde.

Com esses três, o cálculo aparece:

Preço mínimo = (retirada desejada + custos) ÷ sessões realizáveis por mês

E aí entra o ajuste que muita gente esquece: esse número precisa ser dividido pela sua taxa real de ocupação. Ninguém opera com agenda 100% cheia todo mês. Faltas, cancelamentos, pacientes que encerram o processo, período de férias. Se a sua ocupação média é 75%, o preço mínimo sobe na mesma proporção.

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O que fazer quando o número assusta

É comum a conta apontar para um valor acima do que você imaginava cobrar. Aí existem três saídas honestas, e uma armadilha.

Reduzir custo. Coworking por hora em vez de sala fixa, no começo. Trocar sistema pago por algo mais simples enquanto o volume não justifica.

Aumentar a ocupação. Isso é trabalho de captação e de processo de agendamento, não de preço. Uma agenda em 60% com preço adequado fecha melhor que uma agenda em 90% com preço abaixo do custo.

Segmentar. Alguns horários com valor diferente, um número definido de vagas sociais. Isso é diferente de dar desconto para quem pede.

A armadilha é cobrar abaixo do seu número e compensar com volume. Funciona por alguns meses e depois cobra o preço em qualidade de atendimento e em exaustão. É a rota mais comum para o abandono precoce da clínica.

Sobre reajuste

Quem não reajusta por medo de perder paciente costuma passar anos com o mesmo valor enquanto o aluguel, a supervisão e a vida sobem. Duas coisas ajudam:

Defina uma época fixa no ano. Reajuste que acontece em data previsível é entendido como política, não como decisão pessoal contra aquele paciente.

Avise com antecedência e por escrito. Trinta dias resolve. A conversa fica mais fácil quando não é surpresa.

E vale um dado da experiência: a perda por reajuste é quase sempre menor do que o receio antecipa. Quem está em processo raramente interrompe por causa de um ajuste anunciado com cuidado.

O ponto

Preço não é uma medida do seu valor como profissional. É uma conta que precisa fechar para o consultório existir no ano que vem.

Faça essa conta uma vez, por escrito. Depois use a faixa de mercado só para checar se você está muito fora da curva, em qualquer das duas direções.

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