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Psicólogos11 de junho de 20263 min de leitura

Por que o seu Instagram não traz pacientes

Postar com constância e não receber contato não é falta de algoritmo. Em geral é uma destas quatro coisas, e nenhuma delas se resolve postando mais.

Por Thomas Sashida

O relato é sempre parecido. A psicóloga posta três vezes por semana há mais de um ano, tem alguns milhares de seguidores, recebe curtida e comentário, e a agenda continua com buracos. A conclusão a que ela chega, quase sempre, é que precisa postar mais.

Raramente é isso.

1. O conteúdo fala do problema e nunca do caminho

A maior parte do conteúdo de psicologia no Instagram descreve sintoma. "Cinco sinais de ansiedade", "o que é hipervigilância", "como reconhecer um relacionamento abusivo".

Esse conteúdo funciona bem para alcance, porque quem se identifica salva e compartilha. Mas ele termina na identificação. A pessoa fecha o app pensando "é isso que eu tenho" e não pensando "é com ela que eu quero tratar".

O que move para o contato é conteúdo sobre o processo: como é a primeira sessão, o que acontece quando alguém trava no meio do tratamento, quanto tempo costuma levar até a pessoa sentir diferença, o que você faz quando o paciente quer parar.

Isso não tem o mesmo alcance. Tem outra função.

2. Não existe caminho do perfil até a conversa

Vale abrir o seu próprio perfil agora e tentar, como se fosse um desconhecido, descobrir três coisas: se você atende online, quanto custa mais ou menos, e como falar com você.

Na maioria dos perfis, nenhuma das três está clara. A bio tem abordagem e número de registro, o link vai para uma árvore de links com sete opções, e o WhatsApp não tem mensagem pronta.

Quem está buscando terapia costuma estar num momento de baixa energia para resolver quebra-cabeça. Cada passo a mais derruba gente.

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3. O perfil não diz para quem você atende

"Psicóloga clínica, abordagem X, CRP 00/00000" descreve a sua formação. Não diz nada para quem está do outro lado.

Quem procura terapia não busca abordagem, busca alguém que pareça entender a situação específica dela. Puerpério, luto, ansiedade em ambiente corporativo, dificuldade em relacionamento, transição de carreira. Quando o perfil nomeia isso, a pessoa se reconhece e o contato vem qualificado.

O medo aqui é razoável: escolher um recorte parece fechar portas. Na prática acontece o contrário. Perfil que fala com todo mundo não convence ninguém a mandar mensagem, e quem chega por um recorte específico costuma seguir em tratamento por outras questões depois.

4. Ninguém está sendo convidado

Existe uma resistência comum, e ela é compreensível: convidar parece comercial demais para o contexto clínico.

Mas convite não é venda agressiva. É informar que existe vaga e como falar com você. Sem isso, você está contando com a iniciativa de alguém que está justamente sem energia para ter iniciativa.

Uma frase ao final do conteúdo, sem promessa de resultado e sem urgência artificial, resolve. "Tenho horários disponíveis para atendimento online. Se quiser conversar sobre como funciona, me manda mensagem."

Um teste rápido

Pegue os seus últimos dez conteúdos e classifique cada um em duas colunas: descreve um problema ou mostra como é trabalhar com você.

Se nove estão na primeira coluna, você encontrou o motivo. E a correção não é postar mais, é redistribuir.

O ponto

Alcance e agenda cheia são resultados de conteúdos diferentes. Conteúdo que descreve sintoma constrói audiência. Conteúdo que mostra o processo e convida constrói agenda.

Dá para fazer os dois. O que não dá é fazer só o primeiro e esperar o resultado do segundo.

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